Domingo de manhã, acordo sobressaltado! 3 Sonhos, escolhendo qual deles deverei seguir. Um diz que estou com uma garota bonita bolinando e agraciando sua intimidade com toques sutis de língua e provocações, algo me molha o queixo. Outro me joga numa estrada violenta e sinuosa, esgueirando corpos e veículos, num sem freio que consigo administrar com violentas curvas e mudanças de rumo. Outro, o último, uma mistura de pesadelo e medo com Jason, vampiros e toda aquela criação cirúrgica de "re-animator" misturada com sexo e sangue.
Que esperar disso tudo? Volto a dormir enquanto os aviões começam a pousar. Isso me faz lembrar que passa das seis da manhã! Olho preocupado o celular, mas fico aliviado ao lembrar que é domingo. Durmo de novo, os 3 sonhos misturando-se e escolho um, pra ficar até as dez ao menos. Fico com o da garota, claro! Óbvio! Carros não são meus prediletos, re-animator me fez lembrar dum tempo ainda adolescente em que toquei uma bela punheta num filme de horror. Mas a garota me agraciando foi tudo de bom. Estranho como Morpheus mexe com a gente. Ou nós mexemos com ele? Acordo de novo! Sofri um acidente violento correndo demais numa estrada sinuosa! Não deu certo a tentativa de conciliar os sonhos. Ah! Foda-se! Vou pra cozinha, misturo um restico de café com o café de ontem pra ver se fica mais forte e me re-anima novamente, nem troco o filtro da cafeteira, apenas jogo pó sobre ela, pego o resto do café frio de ontem, ou anteontem, agora tá difícil recordar, e adiciono mais água.
Passo pelo espelho! Meus cabelos eriçados (os poucos que sobraram) me dizem: Que merda!
Procuro o maço vermelho. Acho pela metade. Acendo. Queria esperar o café, mas a cafeteira ainda demora e quero ir ao banheiro, paciência. Então me sento, olhos remelentos semi-cerrados, o cigarro aceso, e uma diarréia de arder o cú! Recordo-me imediatamente do vinho vagabundo da noite passada. O banheiro está fodido! Os encanadores que vieram pra arrumar desarrumaram tudo, faltaram na sexta e só na segunda prometeram consertar. Pausa. Uma boa tragada, porta aberta, estou só! Limpo! É tudo como sangue coagulado, escuro e de cor avermelhadamente vermelho-coágulo. Culpa do corante do vinho vagabundo . Que fazer? Tomar café, tava pronto! Banho que seria bom nem pensar, só no zelador do prédio. A água foi cortado por conta da reforma do vazamento que vinha sabe Deus de que andar.
Bom, tomei o café e resolvi dar conta da bagunça do apartamento. Desisti logo. Domingo. Segunda eles vem e fodem tudo de novo e tenho que retrabalhar a limpeza.
Tinha um resto de sopa estragada, que joguei fora. Tinha uns panos sujos na área de serviço, que pensei em lavar, mas resolvi jogar água sanitária num balde com sabão em pó e deixar apodrecer ali até a vontade bater e lavar.
Tomei o café, ficou bom! Forte, impávido, colosso! Procurei o maço vermelho de novo. Ah! A primeira tragada depois do café! Cú ardendo ainda, sem banho, um lixo! Foda-se! Estou de novo em pé.
Resolvi dar um jeito na cozinha. Lavei tudo, limpei o que pude, levei uma meia-hora. Olho no relógio. Quase meio-dia. A venda está pra fechar. Corro lá. Compro massa de tomate, meio quilo de carne, "mandioquinha" que gosto e estou com vontade e duas garrafas do vinho barato pra tomar depois. E rúcula, tinha esquecido o que é comer rúcula. Acho que me fará bem de algum modo.
Na volta, entro no boteco da Fran! Ela é estronha! Peço fiado até terça! Aceita. 3 litrões de cerveja, 2 pra tomar lá e uma pra levar. Aproveito o refrigerador dela pra gelar o vinho barato. A rúcula murcha enquanto isso.
Abro o Pedro Juan Gutiérrez, Trilogia suja de Havana e me delicio delicadamente por duas horas.
No meio do tempo me chegam os invasores.
Um monza velho para bem na frente, som alto, regurgitando axé e companhia e me atrapalhando a leitura. Tento me desvencilhar. O som prossegue.
Depois de três mijadas, uma tentativa de reconciliar a leitura. Não dá. Toda aquela merda de música nordestina atual (com perdão aos clássicos que gosto), resolvo ir embora.
Levo comigo a garrafa de vinho gelada e uma cerveja de litro.
Chego ao apartamento, brinco com o porteiro sobre a merda toda do encanamento, subo ao meu andar e encontro o notebook ligado.
Anseio pela mensagem ou presença de alguém e encontro ninguém.
Catzo!
Abro a cerveja e começo a tomar e digitar aqui.
Momento atual: Poucos vão gostar, muitos vão adorar, assim penso!
Pois posto esta então, tempos depois, antes que a cerveja se acabe e me acabe em sono promíscuo tentando novamente o gosto lúdico e prazeiroso com que acordei.
domingo, 5 de julho de 2009
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7 comentários:
Vou citá-lo: "A questão é a seguinte: comentem e me deixem animado por algum segundo senão desisto daquela merda toda e toco a vida de forma prazeirosa e feliz, recordando apenas as coisas belas e prosaicas que me sucedem". Se for pra ficar se lamentando de tudo, acho que deva mesmo tocar a vida de forma prazeirosa e feliz e cancelar o blog. Procure ser menos decadente, ou escreva essas coisas e guarde pra vc. Está muito bem escrito, mas ser visceral sempre... nem sempre é bom.
Convenhamos que com um nome desses no blog não dá pra falar sobre as belezas dos céus e as maravilhas da natureza, certo? A função do blog é essa mesma, ser visceral, deixar o estômago como se dentro houvesse uma feroz briga de cães. Um ligquidificador interno diluindo tudo.
É, nisso vc tem razão, com um nome desse no blog tem que ser visceral. Mas sempre há esperança, lembre-se de Lucifer em Sandman, quando se livrou da chave do Inferno... ás vezes temos que dar um basta e seguir adiante.
Poizé! E se a gente só faz de conta que quer deixar o inferno? E no fundo mesmo, gosta e sente prazer e um certo alento em saber diferente dos demais sobre a vida e o modo de viver e a condenação eterna?
Esse texto está melhor que o outro. Continue.
Obs: no texto vc sai da venda com duas garrafas de vinho e chega ao apartamento com uma.
hahahaha! Bem notado! Diego, parabéns! Eu tinha visto isso.Na verdade eram duas quando entrei na venda, e saí só com uma. A outra tava pela metade e resolvi nem citar. Valeu velho!
Explicações a respeito do sumiço da segunda garrafa de vinho como prestamente notou nosso amigo Diego: Eram duas, deixei gelar as duas, mas no meio tempo de entreveio em conversas com os bêbados de plantão escapei que as tinha e abrimos uma e vivenciamos uma breve passagem etílica entre a mistura do fermentado e do gaseificado, e disso resultou minha saída do boteco pra casa, com apenas uma e meia garrafa que citei sendo uma por que não me recordava mesmo que ainda tinha meia, etc e tal... vocês me entenderão! Na hora de postar, como sempre faço, não corrijo, simplesmente teclo "enter", e daí a correção tardia. Abraços!
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