sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ronco!

Eu ronco pra caralho! Descobri a duras penas, não minhas, que ronco demasiado. Altos decibéis, incômodo total, cutucões à parte! Já saí do quarto de dormir várias vezes pra ir pra sala ou outro cômodo qualquer que me deixe com dores no corpo e faça a companheira sonhar com os anjos.
Negava isso! Sempre neguei. Talvez por conta daquela que vivi tantos anos juntos e nunca reclamou. Ou se reclamou, não dei atenção devida ou não lembrei no dia seguinte.
Fazer o que? Fumante inveterado, bebedor nato, ao cair no colchão apagado depois de alguma coisa sólida engolida às pressas faz com que nossas narinas entupam-se e a respiração do glutão vir a sair pela boca aberta e garganta. Apnéia do Sono, coisa parecida. Puá! Basta viver uma vida mais digna, deixar o cigarro e a cachaça e as contas vindouras que tudo se resume a um sussurrar leve.
Nada de cirurgia, que não serve pra nada se você continua a levar a vida desregrada. Apenas a moralidade, os bons costumes, a saúde preservada e pronto. Acaba-se o problema. Sei, os críticos dirão que existe sim um problema apneial etcetera e tal. Mas convenhamos, são para minorias. A grande maioria ronca mesmo é por conta dos excessos!
A primeira vez que me dei conta disso foi com meu pai! Numa pescaria em que dividimos a mesma barraca e não consegui dormir de forma alguma porque ele transmutava a paz em terremotos sonoros.
Que fazer? Me virar a noite toda e ficar ouvindo aquele som gutural. É horrível! Agora eu sei!
Bom, depois casei! E durante onze anos não me lembro de reclamações à respeito! Talvez porque me mantinha bêbado o suficiente pra desligar do mundo todo e se reclamações ou cutucões fossem dados não os recordava no amanhecer.
Então descasei, fui viver com outra moçoila por quem estava apaixonado e tal, e logo após os primeiros amores e sensações desaparecerem ela me vem com essa estória: não consigo dormir! Você ronca muito! Às vezes parece que vai morrer em pleno sono!
Envergonhei, disse que ia me dirimir, e parei de beber (não de fumar!).
Não adiantou!
Ela me disse certa vez: Olha! Meu ex-marido fez uma cirurgia pra melhorar isso.
Perguntei: Adiantou?
Ela respondeu: Não! Só quando a gente dormia em quartos separados funcionou.
Tentei evitar isso de várias formas! Dormia com a cara nos pés dela (ela com medo que eu desse um coice noturno com meus pés na cara dela), dormia de lado (de barriga pra cima sou insuportável a mim mesmo!), dormia no chão, em um colchão de solteiro....
Até que não teve jeito! Fui pra outro quarto. Sexo, carinho, conversinha (que sou oposto do macho que goza e dorme. Quero papear depois um pouco. Muitas gostam, muitas desgostam, algumas dirão: ele não fazia isso comigo! Enfim...). Fui para outro quarto!
E negava, dizia que era loucura, piração por conta da minha respiração cansada, e coisas parecidas.
Bom! Me separei de novo (não foi culpa do ronco, acredito!).
Montei uma república com dois amigos da faculdade que cursava.
Um era mais poderoso, ficou com quarto só pra ele.
Dividi com o pobre do Augusto! Coitado!
Chegou um dia, lá pelo meio do primeiro mês, que ele me disse:
Tio, não dá! Não dormi nada essa noite, dei travesseirada na tua cara, te cutuquei, te virei de lado, e continuava a britadeira.
Me apelidou de Johnn Deere! Por conta da marca famosa de tratores, hehehehhe. Teve bom humor.
Então, combalido e chateado, magoado por não me deixarem dormir junto a belas presenças femininas ou a meros colegas de quarto, mudei minha cama para a sala de estar.
República tem isso de bom. Se quiser dormir no banheiro você nem precisa dizer nada a ninguém, só muda a cama de lugar, se couber!
Com essa vida amalucada de solteiro quase quarentão vindo de relacionamentos que não deram certo e deixaram cicatrizes que amo, encontrei delicada pessoa.
Ela se chama Si...
Foi amor intelectual à primeira vista!
Me recordo que estava voltando pra casa e passei em frente do boteco da Fran e vi aquela mulher. Pensei: Caralho! Que porra uma mulher gostosa dessa tá fazendo aí?
Tava sem grana, merreca mesmo no bolso, e novo no bairro, sem nem conta no boteco ter.
Estacionei o carro na garagem do apartamento e contei as moedas no bolso. Juntei umas da gaveta e dava pra pagar 3 pingas. Uma riqueza!
Então lá fui! Sentei e pedi uma dose de vermífugo! E me veio, carregado num copo embaçado e tal. Mas a menina sutil tava lá tomando sua cerveja e conversando com todo mundo num vestidinho que entrevia partes quando cruzava as pernas. E fiquei pesquisando durante todo o primeiro copo do vermífugo (davam para três copos as moedas).
Ela soltou um comentário sobre Santa Catarina, seu belo estado natal e não me contive. Entrei na conversa! De cara, de sabedoria da paisagem e dos locais, e conquistei uma amizade!
Achei que tava bem, que a comeria logo mais, tava anoitecendo! E aquela merda do vermífugo fazendo já o efeito.
Bom, foi fácil a amizade, rápida mesmo. A Fran fechou, eu tava devendo já umas 3 doses de vermífugo pra ela, que a cada dose a gente sente coragem de pedir fiado mais facilmente quando a vontade bate e sou bom conversador, e a grana das moedas tinha ido pro espaço, e eis que ela me procura pra sair dali e encontrar o Ninja!
Caralho! Que porra é esta agora?
Um maluco do bairro que tinha um boteco na vizinhança e de japa ou china tinha nada mas manejava as armas marciais enferrujadas de forma bem legal, ao menos pros bebuns que frequentavam o local e se entusiamavam.
Fui pra lá aos tropeções com ela, doida também, mas com dinheiro, e eu não.
Lembro de muita coisa depois não! Só que não aguentei acompanhá-la e voltei pra casa e acordei malvado no dia seguinte.
Durante o dia os fatos foram se fixando melhor, a lembrança do que fiz em determinada hora, a lembrança daquela guspida-vômito que dei, a tristeza de: nossa, eu fiz isso mesmo! E tudo que se associa e assemelha a quem vive o tipo de vida que eu.
Mo meio da recuperação, sem trabalhar que graças a Deus era um sábado, encontro novamente a dita-cuja!
Olá! Tudo bem? Bem! E aí? Que vai fazer hoje? Nada! Vamos tomar uma na Fran? Claro!
Fui pra lá e acabei parando no apartamento dela que é quase em frente ao meu.
Cheio de vontade de comer aquela gostosa, louco de falar tanta coisa, sem grana pra pagar uma cerveja e prometendo pra semana seguinte uma continuação de tudo aquilo.
Então me deparo com algo!!!!!!!
Ela gostou de mim!
Me tomou como amigo!
Caramba! Levei tempo pra transformar aquilo em virtude!
Bom, resultado é que subimos pro apartamento dela, bebemos, fumamos pra caralho, eu com a mão boba tentando a todo momento chegar lá, ou cá, ou em qualquer lugar que me deixasse com o pau mais duro do que já tava e ela deliciosamente delicada me tirando o tempo todo dos lugares onde queria estar.
Levei uns filmes, uns de arte, outros bobagens, e os de sacanagem, que até agora não vimos juntos, hehehehe.
Deliciosamente supimpa essa menina.
Fui embora de manhãzinha, depois de uma janta perfeita, que eu não via a meses.
Dormi pra cacete!
Domingo ao acordar, pau duro como sempre, tesão de mijo, claro, salvo um sonho qualquer abstrato que nos ponha em polvorosa, me recuperei com algum café. Tudo estava embaçado!
Mas a lembrança do seu silvo e dos seus gatos prestos a me arranharem muito clara. Ela tinha gatos!
Lestat e hummmm, não lembro o nome dela até agora.
Bom, mas estava falando sobre roncos.
Pois então! Divaguei muito pra dizer que lá passo algumas horas da madrugada em boa companhia, boa comida, um carinho amigo que me faz falta quando ela se isola do mundo, e dos gatos.
Então, ontem, quando a reencontrei, trouxe imediatamente pro meu apto. Já virou minha amiga. É um homem de buceta para mim! E fuçamos um pouco na net enquanto tomávamos uma cerveja e deu vontade de mijar.
Eu fui primeiro, de porta aberta. Ela só comentou que nao gostava do som que a urina faz quando sai do pau e cai na água, etc....
E depois de algum tempo, ela foi. E fez de porta aberta e voltou acertando a calça e calcinha. E disse: Desculpa, esqueci de fechar a porta.
Se eu não estivesse tão ligado aqui nessa merda de net, teria escutado, sentido, pressentido o momento.
Adoro mulher mijando! Tara minha! Mas não mijando em mim (ainda!) nem mijando de qualquer modo.
Adoro aquela cena marcante do baixar as calças pela metade, sentar, fazer um chuáááá legal, e depois se limpar por trás! Me dá um tesão do caralho!
Aí ela falou que ia de novo e fui atrás, não ia perder esse show.
Ela mija legal! Ela faz enquanto conversa com você banalidades na porta do banheiro, e depois se levanta e passa o papelzinho por trás, dá aquela olhadela discreta antes de descartar, e se veste rapidinho. O detalhe: entre o último jorro e o penúltimo, ela dá uma suspirada discreta e diz que é gostoso fazer isso, quando se tem vontade, quase como um orgasmo. Molho um pouco a cueca, hehehhe.
Mas a essa altura ela é minha amiga, e fomos terminar de ver os intermináveis e-mail's que ela não tinha lido a dois ou três meses. Fiquei ali, esperando a oportunidade de ouvir o barulhinho novamente. E fui abençoado por mais duas vezes, thank's God!
Aí bateu a fome! Tinha uma lasanha daquelas congeladas e também a cerveja da Fran tinha acabado. E a gente foi por apartamento dela do outro lado da rua.
Ela queria fazer janta, com arroz e bife e tudo mais.Eu, na praticidade do homem solteiro moderno só pedi o micro-ondas.
Comemos!
Ficou de fazer uma janta bem bacana pra mim hoje, porque somos amigos mesmo! E tal!
(E eu estou pasmado de considerar isso mesmo, um catzo!). Tô me estranhando!
Comemos, ela me chamou pro quarto e começou a se trocar. Pediu pra eu não olhar. Porra! Isso não se faz! Claro que olhei! E gostei, mas tava baleado demais e sabia que ali não teria comida mesmo, só amizade!
Aí deitou-se e os gatos vieram!
E futucaram, amaciaram, pisaram nela o tempo todo até que adormeceu, a princesa!
Antes me perguntou se roncava, e se lembrou do meu nick de Johnn Deere, o trator, e falou, claro! Por isso o apelido!
Então deitei-me a seu lado e tentei dormir, controlando a maldita respiração.
Quatro cutucadas depois, já de dia, dei-lhe um beijo na testa e disse: vou embora senão você não consegue dormir hoje!
Maldição!
Cheguei no meu apartamento e apaguei até as dez. Dia de rodízio, abençoado seja vez ou outra!
E agora espero o não-convite dela pra não-pernoitar na cama dela e pronto.
Sexo não rolou! Nem vai rolar. A maluquinha só gosta de meninos mais novos e orientais. Com essa barba branca, essa pança cervejística, os peitinhos hereditários, só posso dizer que é minha grande amiga. E me dá uns abraços e carinhos calorosos vez ou outra, e fico todo aceso, mas sei que a brasa ali tá molhada de chuva, e o fogo não vai pegar. Faz bem pro ego ao menos! E pra vizinhança que acha que sou o maior comedor dela no momento, os porteiros, botequeiros, pizzaiollos. Ah! Que se fodam! Por isso não costumo me aprofundar em comentários alheios.
PS.: Ela estará postando suas estórias aqui comigo em breve, sem fotos. Mas é muito linda!

5 comentários:

Anônimo disse...

muito bom!

Anônimo disse...

oque um ronco nao desencadeia.....legal...

John Deere disse...

Taraaaaaaaaaado!!!!!!!!!!
Mas adorei.......

Em breve te darei mais estórias.

Si...

Capitão Howdy disse...

Todo dia coloco um pouco de terra no meu túmulo... um dia viro musgo.
Meu amigo, o ronco é o companheiro noturno de todo homem de meia idade. Temos que nos conformar com isso... e mudar de quarto.
Quanto a sua nova e adorável amizade... desejo toda sorte (muita sorte mesmo), senão, fica pelo menos o consolo de ter conquistado uma boa amiga. (Mas quem disse que bons amigos não transam? Hein?)

John Deere disse...

Gostei do início do texto. É de sua autoria? Me lembra demais o Manoel de Barros, copiaste ou inspiraste-se nele? Quanto a transar mesmo sabe que "água mole em pedra dura tanto bate até que molha tudo", então... questão de espera. E se demorar muito, mando à merda mesmo...