quarta-feira, 22 de abril de 2009

Noites Paulistanas - Ali Babar – Santana – Zona Norte – São Paulo – 13 de dezembro de 2008 – 22:35

Sento numa mesa tranquila, abro o note e começo a selecionar e editar algumas fotos da última viagem que fiz. O lugar é jovial, simpático, e um pouco caro. Na mesa ao lado dois casais e duas meninas sobrando ou esperando. Música ao vivo, de boa qualidade, com um carinha que lembra o Dinho do Capital Inicial, e que deve fazer sucesso entre as mulheres.
Ah! As mulheres... Criaturas simpáticas e pouco confiáveis! Um cheiro insuportávelmente doce de Narguilé ao lado, meio maçã caramelada, me tá dando náuseas que meu cigarro convencional, o bom e velho companheiro, ainda não conseguiu vencer. Todos na faixa dos vinte e poucos, muito poucos anos, pra minha idade.
Mas pensava nas mulheres, e em uma em especial, que sei, agora, se estivesse comigo aqui estaria de olho no vocalista da banda. Paciência. Nunca toquei nada além do meu próprio instrumento, que manuseio com atenção e dom únicos. Quase um virtuose! Não é engrandecimento de ego, existem relatos sobre essa atenção, e meu ego se infla quando penso neles, claro!
Bom, não consigo escrever sem falar sobre minha pessoa, minha situação, meu egocentrismo extremo, e também minha entrega extrema à vida, aos dissabores e às situações que essas condições criam. Como dizia um velho amigo, sou visceral.
Aumento a fonte, aparecido que sou, para que a menina sentada à mesa atrás de mim leia o que escrevo, pois se mostrou interessada. Quem sabe core ao ler essas linhas agora, o que muito duvido, mas que sei causo certa admiração por estar escrevendo seus pensamentos. Olho pra trás e ela sorri meio sem graça! Interessante manusear as pessoas e coisas. Interessante a vida, ridícula de simples, mas complexa pelos sentimentos e interesses despertados durante a pobre existência.
Quero aparecer! Claro! Exite modo mais simples e interessante e diferente de chamar a atenção que um careca que já dobrou o Cabo da Boa Esperança na vida, solitário, num bar razoável, cheio de pessoas fisicamente interessantes, mas que passaria despercebido ou desarazoável no ambiente não fosse o fato único de estar só em uma mesa compenetrado no seu trabalho de digitação dum texto e de se mostrar, ou querer parecer moderno a essa geração saúde que pouco se importa com os desígnios da mente? Acho que não!
Escrevo ao acaso, palavras surgindo dispersas, sem compromisso e sem profissionalismo, o que por vezes já fiz melhor. Mas convenhamos, prum sábado à noite solitário e que poderia ser mais solitário e triste num quarto ou sala assistindo um programa qualquer na tv, até que estou me saindo bem. Ao menos as meninas de trás sorriem quando escrevo algo sobre elas, como agora!
Falso canalha que sou, me finjo escritor ou coisa parecida, e sempre cola. E o barzinho leva a música a sério. A banda é realmente boa! Os garçons, todos fantasiados de falsos árabes, são prestativos e constantes, o que é bom sinal, aliás, mau sinal, porque não nos deixam com o copo vazio por muito tempo. Mas a julgar pelo preço pago no estacionamento, mais a taxa de entrada no lugar, no mínimo tenho de permanecer por umas quatro horas.
Uma “nunsei”, aquelas mestiças japonesas já gloriosamente miscigenadas à nossa raça, e que dão um sabor especialmente brasileiro aos olhos diferenciados, me pede ajuda para uma foto, entre uma tragada no narguilé e a conversa com os amigos, numa simpatia única no Brasil, dificilmente encontrada em outros lugares no mundo.
E São Paulo é assim, como Curitiba, que me disseram séria e confusa, fria e distante, e no entanto foi acolhedora como poucas cidadelas nesse país difuso.
Eis que chega a hora da dança do ventre! E que ventres! Me parece haver uma grande lombriga entremeada ali dentro, por Deus! Como se mexem e se remexem aquelas lindas barrigas! Que coisa linda! Surpreendente pela beleza e extrema exuberância das meninas. Fico a imaginar o que fariam com aquele remelexo todo em uma noite a dois. Seria incrível! Ou então estariam tão cansadas do exercício que relaxariam apenas... já aconteceu comigo, numa noite num strip em que a maravilhosa garota que pingava velas em seu corpo, enquanto se despia e dançava languidamente, cera pelos mamilos e costas e nádegas, e que linda pela mocidade e novidade me concedeu a certo custo uma hora em uma casa próxima, se queixava a todo tempo de minhas sugadas e apalpadelas e lambidas! Dizia estar dolorida, louca pra acabar, e eu embriagado, a custo e distante de me esvaziar de meu desejo. Coitada! Sinto pena hoje. Vai saber? O engraçado é que o tempo e o custo e a bebida nos fazem esquecer ou lembrar esses acontecimentos.
E é engraçado que não adianta ser muito magrinha, tem que ter uma barriguinha saliente pra ficar interessante, claro, a dança é do ventre! Nada absurdo, mas aquela coisinha que vibra quando ela requebra. Se fosse tudo durinho não teria graça ou sentido! Agora pausa, vamos observar apenas. Alguns minutos que darão graça e prazer aos olhos.
Grande momento da noite! Ela surge brilhante! Nova, seus vinte e poucos anos garantidos, sorridente, cabelos lisos e castanho-claros, magra, esguia, dentes à mostra num sorriso plástico bem planejado, linda!
Escrevo enquanto vejo suas ancas maravilhosas, e não erro as teclas, sou bom nisso.
Essa é especial, tem um ventre de cobra que me fascina, e que umbigo maravilhoso, e que ossinhos lindos de suas ancas. Tenho que corrigir o texto depois, claro. A menina é linda! Maravilhosa, simpática, tudo que queria pra mim, mas nunca trabalhando num lugar desses! Me dá medo pensar isso, caramba! Não é preconceito, apenas me conheço bem pra evitar o ciúme inevitável numa situação dessas.
Nossa! Final surpreendente, excitante e delicioso. Nunca mais sairia desse umbigo, nem daquelas curvas maravilhosas. Mesmo em quietude ou se mexendo com uma ourobouros dentro do ventre.
Começo a entender o sentido e importância do sexo, da voracidade que exerce, da força que tudo empurra e excede à hora destinada à consumação! De tantas vezes em que me guardei por conta de uma única pessoa e de tantas outras que não se guardaram, e que, infelizmente pra mim, foram mais espertas que eu. Engraçado que também tive meus momentos de exacerbação extrema e glória sexual, mas sem resultados conflitantes. Não sei se agradeço aos céus ou se os envio ao inferno agora. Apenas sinto a vida pulsante e clara nesse momento. E uma claridade diferente se evidencia, como um perdão que já havia concedido mas ainda não compreendido.
E eis que tudo se consuma em festa e dança. O pequeno ambiente se transformou em uma pista de dança apertada com garotas bonitas e jovens, algumas maduras mas ainda assim lindas e descoladas. Não fosse pelo peso da mochila com o note onde escrevo e a timidez natural de meu signo,certamente me juntaria à pista. Mas continuo a escrever. E fiz, claro, alguma amizade com as meninas da mesa de trás. Resta não estragar tudo agora com meu humor ácido e intranquilo da atualidade. Tentarei me conter e contar amanhã. Acho que por hoje chega!
E não chegou!
Ainda por aqui, fui ao banheiro e pasmei. Quanto tempo perdi em conhecer mulheres jovens e interessantes em prol de uma apenas! Puxa! Que loucura é a noite, as novidades que aparecem a cada instante e te olham e te transformam em alguém interessante também. Impressiona agora a qualidade, quantidade e vitalidade e vontade sexual das pessoas.
E entristece também, visto que sou um romântico com olhos exclusivos para um mundo que já não é meu, e que dista de tudo que vivo agora. É pena! Triste essa situação que o som provoca, que a fúria erótica do lugar e do momento evocam, e que me fazem confiar a cada dia menos no amor único, na razão de preservar um relacionamento, no sentido único do amor romântico e tudo o mais com o que criei em minha fantasiosa e sonhadora e romântica mente.
E isso aos 37 anos. Descubro agora que grande merda e distrativa é a vida! Que sexualidade latente existe e não enxergamos senão quando livres de toda paixão e amor perdidos?
Mas disse livre?
Fico perplexo com a quantidade de facilidades sexuais que existem e que eu, por pura paixão e amor ainda deixo passar batidos.
Não me interessa o sexo fácil, ainda mais fácil agora, que é só se aproximar requebrando e tudo vira filme, como com o Gianechinni e a Paola!
Tudo que vejo e observo é traição de princípios que eu próprio traí uns tempos atrás, que eu mesmo procurei mudar e que me fizeram compreender que nada muda, que tudo é somente sexo e amizade e vontade.
Baseia-se a vida em desejos, vontades realizadas, tesões ocasionais não repreendidos e ocasionalidades banais que podem comprometer toda uma existência. Que responsabilidade temos diante disso? A do momento apenas!
Nunca estamos livres dessa paixão, desse modo de vida único, dessa vontade única de alguém e ciúme que nos consome. Eu simplesmente estou só. Eu simplesmente estou livre, eu singularmente estou pensando e vivendo isso! E vai contra toda minha vontade de ficar assim!
Mas estou aqui agora, numa danceteria ou boate ou sabe Deus como chamava na época em que éramos jovens e gostávamos disso tudo. O som estridente me arrebenta os ouvidos, e logo caio na pista, que tô cansando de escrever. E as luzes fascinam mais que antes, claro, a tecnologia! Sinto falta da luz negra, que ainda não vi. Tô com camiseta branca! Lembra disso?
Sou um pássaro que estava em uma gaiola com a porta aberta e não queria sair, mas que foi meio que empurrado para a liberdade e que torce ainda em voltar pra gaiola acolhedora, pro ninho restrito, pra vontade de ser único em uma vida que já vai longe de um dia ter sido perfeita, e que ainda sonha com ela.
“Não vou dizer que foi ruim! Tampouco foi tão bom assim....” E a banda continua com o Lulu, “não desejamos mal a quase ninguém”, “consideramos justa toda forma de amor!”
E assim prossigo!
E agora “Além do horizonte existe um lugar... bonito e tranquilo pra gente se amar”, e eu não acredito mais nisso.
É estranho escrever num lugar tão cheio, tão barulhento, tão único e distante do que esperávamos.
E queria que estivesse aqui comigo, no lugar dessa máquina, pra gente dançar, pra gente se amar e se soltar, até mesmo paquerar as pessoas ao redor, com um certo respeito que não foi escrito e nem discriminado no início de tudo, mas que poderia ser concordado antes de tudo acontecer, pra que não virasse um caos agora. Com aquela discrição única que não existiu entre nós, poderia ser um grande ato de amor.
Mas foi mal compreendido por mim com teu ciúme obsessivo do início e teu distanciamento final. E com meu cíume obsessivo depois do teu, pra compensar o que passei.
Putz! Sei que detestava quando usava esse termo, mas é congruente agora. Ele me designa quando cai a fixa em minha mente. Só agora percebo o quanto me entreguei de forma errônea a você. E, putz, só agora percebo de fato que tento mudar o conto, o lugar e a estória e acabo caindo em você novamente! Resta o consolo de escrever razoavelmente e ter você como inspiração!
E vamos à noite que é uma criança e já fez xixi no meu colo. E algumas considerações que fiz e nunca haveria de saber senão após nossa desunião.
Acho que ficou bom o texto. Tentarei não corrigir ao mandar aos amigos! Meus críticos ocasionais, e únicos leitores!
Agora as luzes piscam muito e me atrapalham a visão. Tô quase caindo na pista, tão tocando “Bizarre Love Triangle”, algo de minha época e que me remete a algumas histórias vividas.
Vamos à noite e ao que ela me reserva então, apesar da vontade de roncar a teu lado ou no quarto vizinho. Odeio minha canalhice, que surge sempre que estou só! Mas me sustenta e sou bom nisso, redescubro agora. E dançarei na pista, infelizmente sem você, que nunca saberá dessa minha facilidade, apesar da mochila pesada e sem sentido nas costas.
E percebo agora que erramos muito em nossas definições, por medo apenas de ofender um ao outro.
Entendo claramente tudo isso. E sinto muito. E espero acertemos um dia em tudo que sentimos um pelo outro. Acredito nisso, espero isso, sei o quanto somos especiais e o quanto teremos que nos afastar para enfim nos aproximarmos.
Então, eu diria sim, sempre, ainda que por quinze minutos apenas! A eternidade é muito curta às vezes.

5 comentários:

Guild OnePice disse...

como vejo hj o mal carater que é vc !!!!

Com toda razão e motivo .. não falta me vontade de cuspir no seu tumulo !!! Marta

John Deere disse...

Entra na fila então! E não confunda ficção com realidade, só isso!

Diego disse...

Não se gabe de ser bom com a linguagem, pois ela é a maior das traidoras. Há no texto alguns erros de concordância... Achei-o um tanto que enfadonho, talvez pelo fato de que no fundo o texto tenha sido escrito para uma só pessoa (que eu não preciso dizer o nome).
Mas continue. Coloque mais textos - agora com outros assuntos. Ah, e não cite mais nada de Lulu Santos: Lulu Santos não dá!

John Deere disse...

hahaha! É que foi postado sem corrigir ou reler, tava com preguiça! Mas valeu, e sei que detesta o Lulu, e também que ficaram (sempre ficam) piegas essas citações. Grande abraço velho, e manda alguma coisa tua pra mim também, que nunca li nada teu.

joalfa666 disse...

Alô Jão, eis-me aqui como prometido. Não gosto de ficar fazendo comentários sobre os outros que acabo sendo cáustico, mas como vc insistiu...
O texto está bom, gostoso de ler, e acho que os pequenos erros que aparecem não devem ser levados em conta... são os percalços naturais pra quem escreve em bares, hehehehhe.
Agora, por favor, pare de escrever o texto pra uma só pessoa, como o Diego mesmo disse, que eu sem quem é a pessoa. Pare de se lamentar. Além do mais, vc vive reclamando que está sozinho e procura alguém, acha mesmo que alguma mulher vai querer algo com uma pessoa que só faz lembrar da antiga e se lamentar?
Juízo!